sexta-feira, 20 de abril de 2012

Além do rótulo que limita o infinito.



Estamos sempre rotulando comportamentos, seja de terceiros ou para definir o nosso próprio modo de ser ou pensar. O presente artigo analisa o rótulo utilizado por quem defende uma ideia, uma visão, uma perspectiva a partir da qual compreende e avalia algo. Isso no campo político, religioso, sexual, científico, etcétera.
Mais especificamente, o rótulo que classifica opiniões ou posições extremadas, que faz de seu defensor alguém não moderado ou drástico. Situação esta que produz uma particular inquietação e dá azo a considerações críticas, porquanto quem se rotula não dá margem para a discussão do caso concreto.
Com isso não quero sustentar que não devemos defender nossas opiniões ou ideais, pelo contrário, lutar por aquilo que se acha factível de realização é parte do que significa ser humano, é o que nos mantêm vivos. Agora, isso não significa dizer que a sua resposta ou solução é a única, tampouco a melhor. É aí que reside o problema dos rótulos.
Quando chamado para alvitrar ou julgar, aquele que é partidário de uma visão extremada não consegue falar sobre aquilo que vê, mas, sim, apenas ver o que sua “religião” fala sobre as coisas. Desse modo, a resposta costuma vir antes da pergunta, como se pudesse haver uma solução prévia para tudo, causando evidente prejuízo ao debate.
É comum ver o radical se jogar numa defesa surda de seus ideais, a partir de uma análise superficial do caso concreto, pois tudo “se presume se resume se reduz e o principal fica fora do resumo principal”, e, ao mesmo tempo, preconceituosa, pois ele não aceita soluções diferentes da sua, mesmo que racionais, ou seja, longe de meras crenças.
À toda evidência, somos filhos do iluminismo, daí não é razoável apostarmos numa única solução, ou seja, nem tudo precisa ser resolvido da mesma maneira. Não existem padrões únicos, uma vez que o real é construído e a verdade está limitada ao nosso tempo, à tecnologia que dispomos, enfim, aos argumentos racionais e superlativos que a justificam hodiernamente.
Como se vê, a resposta não é estável ou imutável, isso não passa de um ideal romântico.
Com efeito, precisamos superar o monismo, o dualismo, entre outros “ismos” que sustentam o modelo de pensamento, sobretudo, o positivismo do direito. Ver as coisas pela paleta do preto e branco não é uma boa forma de compreender a realidade dinâmica em que vivemos.
Em tempos de discussão sobre o novo código florestal, uma guerra entre ambientalistas e ruralistas resume o problema dos rótulos. Os posicionamentos carregados de pré-conceitos não permitem um debate construtivo sobre projeto de lei.
Isso porque, como já dito alhures, cada “lado” se joga numa defesa surda de seus ideais ou interesses, como numa verdadeira briga de torcidas, de modo que os argumentos contrários são sempre equivocados, quando não representam um ataque, - triste sina brasileira achar que toda crítica representa um ataque, é o que justifica a falta de bons debates.
Texto cedido pelo autor:  Diego Henrique Schuster
Continue lendo aqui:http://tribosetribunais.




 

4 comentários:

Lindalva disse...

Boa noite querida Ieda... li amiúde o texto do Diego Henrique Schuster e mesmo tendo sido escrito ano passado vai ser sempre atual enquanto as posturas não forem mudadas... Em relação ao teu dilema "medonho" do ser ou não ser, te digo não tente acompanhar os blogs, tente acompanhar a tu mesma... blogar não é obrigação e sim um lazer e quem te cobrar faça só uma pergunta: "ei tu não tem vida real?"
Um beijo doce no coração amiga Ieda e quando puder apareça no chatilhando para chatear um pouco ou não fazer nada :)

Anne Lieri disse...

Ieda,um texto perfeito e reflexivo!De fato ninguem é dono da verdade e podemos aprender muito com todas as pessoas!Adorei sua ótica!bjs e boa semana!

Valéria disse...

Oi Ieda!
Defender com unhas e dentes seu ponto de vista sem respeitar o do outro é o que vemos muito constantemente em todos os círculos sociais, é uma pena. Vira um duelo triste de pontos de vista mesmo com pessoas ditas esclarecidas imagine àquelas que como costumamos dizer por aqui emprenham pelos ouvidos, para o fanatismo é um pulo.
É difícil defender um ponto de vista quando há pessoas discordantes o acréscimo de ideias é subtraido pela intolerância.
Beijinhos e uma semana iluminada!

Élys disse...

Creio que devemos e podemos colocar a nossa opinião sobre algo, mas sempre despidos de preconceitos e verdades absolutas. Saber falar e saber ouvir...
Beijos

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