domingo, 18 de setembro de 2011

Canção das mulheres.


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. 

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. 

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. 

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. 


Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. 

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. 


Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco em lugar de voltar logo à sua vida. 




Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
 
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. 

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre 
necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não 

estou podendo ser nada disso. 

Que finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser,
a mulher maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa; uma mulher


                                               Lya Luft                                                                         
                                                                                              

11 comentários:

Orvalho do Céu disse...

QUERIDA IEDA
TEXTO MUITO CHEIO DE VERDADE... QUANDO PRECISAMOS DO OUTRO É DELE QUE QUEREMOS... NÃO DE DISCURSOS...
BJM DE PAZ

Denise disse...

Quanta verdade nesse texto! Os companheiros nos veem como super mulheres, q não tem o direito de estar cansada, de mau humor, doente, com dor, etc. Temos sempre q estar bem dispostas, simpáticas, carinhosas, ser boas amantes, e principalmente nunca reclamar ou contestar nada. A convivência é uma arte! Muita paz

claudete disse...

Cara Ieda, como você expressou neste poema o sentimento de nós mulheres ...Encontrei-me nele e vislumbrei uma angustia que não é somente minha , mas representa um lamento de Esperança ,que correntes de energia positiva se elevem aos espaços e transitem na mente de todos que precisam ouvir e compreender que ele e eu somos o "outro". Beijos.

Imac by Artes disse...

Quanta verdade contém esse texto!
Gosto muito de Lia Luft.
Obrigada pela partilha. Amei!
Abraços! Linda semana pra ti.

Beta disse...

Lindo texto!!!Você sempre posta coisas lindas!
bj

Valdeir Almeida disse...

Lya Luft, como sempre, sensível à alma humana em geral, e a da mulher, em particular.

O texto, em linhas gerais, fala de respeito, de aceitação do outro num relacionamento.

Beijos e ótima semana.

Élys disse...

Um texto que mostra que o importante é saber olhar sempre com respeito.
Beijos.

✿ chica disse...

Que coisa linda esse texto e canção! Adoei!Obrigado pelo carinho,adorei te ver lá!beijos,chica

Ailime disse...

Amiga,
E tantas vezes que precisamos que nos olhem e sintam apenas como mulheres, como simples seres humanos que somos, tantas vezes incompreendidas apenas e só pelo facto de sermos mulheres.
Que o outro nos ame simplesmente.
Muito obrigada por esta extraordinária mensagem.
Um beijingo,
Ailime

✿ chica disse...

Obrigado,e o pior é que a éguinha hoje morreu.Viste? beijos,boa noite,chica

Patty Schenato disse...

olá, adorei o que tu fizeste no meu blog, achei demais aquelas borboletas bordadas. valeu mesmo. e amei a poesia da lya luft. sempre me sinto assim, creio que seja por que sou mulher. kkkkkkkkkkk. bjão.

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