quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Oração a mim mesmo



Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais. Falar menos. 
Chorar menos. Ver nos olhos de quem me vê a admiração que 
eles me têm e não a inveja que, prepotentemente, penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido 

escutar. Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim
e comigo morrem por eu não os saber sonhos. Então, que eu possa 

viver os sonhos possíveis e os impossíveis; aqueles que morrem
e ressuscitam a cada novo fruto, a cada nova flor, a cada novo calor,
a cada nova geada, a cada novo dia. Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar, sonhar o amar, sonhar o amalgamar. Que eu me 

permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível,
da imensidão de toda profundeza. Que eu possa substituir minhas 

palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo 
das coisas mais raras, pela oração mental (aquela que a alma cria e
que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde). Que eu saiba 

dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas,
desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra
nas pequenas manifestações da vida. Que eu saiba reproduzir na 

alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte 
suprema da natureza, criando-me e recriando-me  a cada instante.
Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas 

dúvidas. Que eu saiba perder meus caminhos mas saiba recuperar 
meus destinos com dignidade. Que eu não tenha medo de nada,
principalmente de mim mesmo:
- Que eu não tenha medo de meus medos! Que eu adormeça
toda vez que for derramar lágrimas inúteis, e desperte com o

coração cheio de esperanças. Que eu faça de mim um homem 
sereno dentro de minha própria turbulência, sábio dentro de 
meus limites pequenos e inexatos, humilde diante de minhas
grandezas tolas e ingênuas (que eu me mostre o quanto são 
pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha 
pequenez). Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso,
ser órfão. Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o 

muito que não sei, traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender  a alegria com que os simples traduzem suas 

experiências; respeitar incondicionalmente o ser; o ser por si só,
por mais nada que possa ter além de sua essência, auxiliar a

solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou. Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado, fazer gentilezas

quando recebo carinhos; fazer carinhos mesmo quando não recebo
gentilezas. Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.
Amém.


Osvaldo Antônio Begiato

8 comentários:

Chica disse...

Linda e inspirada oração que faz bem a cada um de nós...beijos,chica

Nilce disse...

Amém e muito obrigada querida.
Linda oração. É para se fazer todo dia.

Bjs no coração!

Nilce

Beta disse...

Linda oração!

bj

Beta disse...

Querida, este texto nao é meu.
E do meu colunista Mike!!!

maxiempresas disse...

Muito bonita oração.Parabéns!

Deyse Joyce disse...

Que linda!!! Nos faz pensar e refletir!!!

http://deysejoyceblog.blogspot.com/

Bjins

orvalho do ceu disse...

Olá,querida
"... recriando-me a cada instante"...
Isso se chama crescimento e maturidade...
Lindo demais!!
Bjsde fim de semana feliz

Élys disse...

Um texto em oração. Lindo!...
Beijos.

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