sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Espiritualidade.

Quando eu falo em espiritualidade, não  estou me referindo a nenhuma igreja, a nenhuma religião particular, embora respeite todas. Refiro- me a espiritualidade como o fazia Einstein, apontando para uma vivência cósmica; ou, ainda, outro físico contemporâneo, Fritjot Capra, que denominou seu penúltimo livro de Pertencendo ao Universo. Espiritualidade é uma consciência não dual, uma consciência de participação, da parte no todo, que na essência é o amor, e na prática é a solidariedade. Uma pessoa que despertou para esta dimensão espiritual é uma pessoa que não se vê separada do outro, da comunidade e do universo. Eu pergunto: em sã consciência, você colocaria fogo no seu corpo? Se você sente-se não separado do outro, você jogaria fogo em alguém que está dormindo num banco? E se você se sente não separado da natureza, você iria empestá-la, destruir ecossistemas por uma neurose de progresso compulsivo, que foi decantada no s´culo passado por Comte e que, agora, testemunhamos o lado sombrio dessa religião do progresso a qualquer custo, progresso a custo da hecatombe? Sem sombra de dúvida. Nestes últimos séculos temos investido, de forma unilateral, no mundo da matéria, e os frutos são notáveis, sintetizados na tecnociência maravilhosa que dispomos. A grande tragédia, entretanto, é que não houve nenhum investimento significativo no mundo da subjetividade, da alma, da ética, da consciência, da essência. O resultado encontra-se nos noticiários tristes e apocalípticos a cada dia: escalada de violência e guerras infindáveis; a exclusão desumana de uma maioria, que morre de fome, por uma minoria, que morre de medo; extinção em massa de espécies; rota da colisão do ser humano com a natureza e todo o tipo de aplicações tecnológicas irresponsáveis. O investimento maciço na alma é a única estratégia que poderá viabilizar a perpetuação, com a qualidade e dignidade de nossa espécie. Antigas e esquecidas lições: para que serve ganhar o mundo inteiro se você perdeu a sua alma, se você se perdeu de si mesmo, se você se esqueceu do Ser que lhe faz ser? Felizmente, crise é também oportunidade de aprender e de evoluir. Gosto de confiar que o ser humano será a maior descoberta do terceiro milênio.

Escrito por:  Roberto Crema.


A vida não dá, nem empresta, 
não se comove, nem se apieda,
tudo quanto ela faz, é retribuir e transferir
tudo aquilo que nós lhe oferecemos
Albert Einstein.

4 comentários:

orvalho do ceu disse...

Olá, querida
Vc fechou com chave de ouro o seu post... acredito no ser humano mesmo ele estando desumano por demais...
Bjs de paz e excelente fim de semana.

Nilce disse...

O homem conquistou o mundo e perdeu a sua humanidade.
É importante refletir isso.

Bjs no coração!

Nilce

Deyse Joyce disse...

Concordo totalmente. Pessoas assim desumanas tem vidas vazias, e por um vida não apática (por culpa delas mesmas) ficam cuidando da vida alheia em demasia e se incomodam com jeito de viver ou a felicidade do próximo e tem esses atos desumanos!!!

Amei o post!!!

http://deysejoyceblog.blogspot.com/

Bjins

Jeanne disse...

a humanidade está meio perdida, segundo o espiritismo faz parte da transição planetária.
acreditando ou não, concordo com a questão da espiritualidade que não depende de religião.
Excelente texto, encerrado com chave de ouro no pensamento de Einstein.
Beijos

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