domingo, 5 de dezembro de 2010

Continuando... causas da ausência de Deus.


O sonho deste mundo é o progresso. Quem diz progresso, diz mudança. De início, a igreja e a fé, sendo estáveis, são vistas como ultrapassadas. Sofisma, é certo, mas não corremos também  o risco de nos deixarmos levar por esta ideia? Devemos lembrar-nos seriamente que a novidade, segundo o Evangelho, não consiste na substituição de uma verdade por outra, linearmente, como acontece com o progresso material. No terreno da inteligência e do amor, e, portanto, das verdades de fé, a mudança só pode ser realizada por uma espécie de olhar mais interior, de uma contemplação circular, um aprofundamento. Platão não destronou Sócrates e Santo Agostinho não depôs Platão. E Jesus não veio destruir, mas completar. Não nos esquecemos jamais disso. Se considerarmos a história da humanidade, desde a idade pré- histórica até nossos dias, verificamos que o homem foi marcado por quatro ambientes sucessivos: (1) No principio, o homem primitivo viveu em contato imediato com a natureza (colheita) e com os seres vivos do mundo animal: Caça e pesca. (2) Mais tarde, o homem começou a cultivar a terra. Estreitou relações privilegiadas com a vida vegetal, que ele aprendeu mal ou bem controlar. (3) Depois a era industrial. O homem estabeleceu relações cada vez mais estreitas com o mundo mineral, o petróleo, o aço. A química se tornou onipresente. E o universo do homem foi  ficando cada vez mais inanimado. Certa vez foi preciso levar uma vaca a uma praça publica ( Chicago???) para que as crianças redescobrissem que o leite vem da vaca e não da caixa. (4) Hoje vivemos a era da informação, da tecnologia. Estas mudanças ocorridas na sociedade nos últimos anos, ocasionadas pela globalização, pela velocidade das informações compartilhadas, pela redefinição de tempo e espaço, pela descoberta do virtual e do digital alterou completamente o cotidiano das pessoas e consequentemente do ambiente em que vivemos. Há informações demais e tempo de menos. Assim foi criada uma mentalidade técnica. O que o homem conhece é aquilo que pode ser visto, tocado, pesado, medido, analisado. Deus nos deu duas formas de conhecimento: o conhecimento científico, técnico com todo seu rigor. E o conhecimento intuitivo, que é dos apaixonados, dos poeta, da mãe para com seu filho, um modo de conhecimento por contemplação, por simples olhar, onde o silêncio tem tanta grandeza e importância quanto a palavra. Entrando num mundo dominado pela matemática, o conhecimento intuitivo corre o risco de ser eliminado. A mentalidade técnica, com efeito, cria no homem verdadeira incapacidade de abertura à intuição. Aquilo que não se toca ou não se mede também não existe. Em outras palavras, a relação exclusiva do homem com a matéria leva a uma verdadeira mutilação do espírito. O homem se torna cada vez menos capaz de considerar seus semelhantes como pessoas. Madeleine Delbrêl descreveu muito bem este novo ateísmo, que ela chama ateísmo do silêncio. Pouco a pouco, esta relação homem/matéria se estabelece num silêncio total em relação a Deus. Por uma estranha substituição, a criação toma o espaço do Criador. Este silêncio não nos alerta. Um perigo maior se aproxima do mundo, sem ruído: O perigo de um tempo onde Deus não será mais negado, nem caçado, mas excluído. Onde Ele será impensável, um mundo onde desejaremos, então gritar seu nome, sem, contudo, conseguirmos soltar este grito... Esta ateização, seja ela agressiva ou indiferente ou tolerante para com Deus, tem sempre um caráter comum: A recusa de um Deus criador, conferindo ao mundo sua condição de criatura.

Reflexões: III parte.

    4 comentários:

    JOANA CAMPOS disse...

    Oi Amiga, que tesxto forte e verdadeiro...realmente devemos couidar, senão Deus criador será cada vez mais esquecido de ser dito, principalmente a nossas crianças.

    Bjs

    Joana Campos

    Suziley disse...

    Bela reflexão, Esplendor da criação. Vivemos o ateísmo do mundo "prometéico". O Mito de Prometeu fala sobre a técnica, o trabalho, a civilização. Tudo isso só é válido se estiver a serviço do aperfeiçoamento do próprio coração, sabermos, fazermos, realiarmos para seremos melhores. Mudança operada dentro de cada homem. Onde nenhuma técnica é capaz de desvendar a espiritualidade que há em cada um de nós! Somos mais do que simples matéria, do que toda a técnica, somos seres espirituais em missão!! Adorei a reflexão. Obrigada pela partilha, beijos :)

    orvalho do ceu disse...

    OLá, querida
    "No terreno da inteligência e do amor, e, portanto, das verdades de fé, a mudança só pode ser realizada por uma espécie de olhar mais interior, de uma contemplação circular, um aprofundamento".
    Simplesmente espetacular!!!
    Abraços fraternos e bjs de paz.

    Nilce disse...

    Gostei muito desta reflexão.
    O homem está se tornando cada vez mais materialista e esquecendo de onde veio e para onde vai.
    Gritos em silêncio não irão adiantar no momento de desespero na busca do Ser Maior.

    Bjs no coração!

    Nilce

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