terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ausência de Deus. Final.



O naturalismo é uma atitude do homem pela qual ele não reconhece nada que esteja  acima da natureza, nada que ultrapasse aquilo que é objeto  de suas capacidades naturais. A conseqüência disso é uma confiança ilimitada no homem, e a negação de tudo o que esteja fora do homem ou acima dele. Qualquer transcendência é rejeitada. Tudo deve então encontrar sua explicação no homem. Daí decorre, no plano religioso, que toda revelação, todo sobrenatural são coisas impossíveis. Para o naturalismo, se a religião subsiste, é apenas por causa do “sentimento religioso” que se observa nas pessoas. Mas seria inútil procurar a explicação objetiva deste sentimento religioso num Deus exterior a nós. O naturalismo era, a  princípio, uma simples teoria filosófica. Hoje porém  invadiu os espíritos. Impregnou o homem comum., não existe nada que eu não possa ver, tocar. Só uma coisa tem importância: A luta para melhorar minha situação, meu modo de vida. Consequência inesperada do naturalismo: O totalitarismo. Com efeito, se  não existe nada fora, a Cidade temporal, o Estado substituem o Deus de antigamente e torna-se o fim supremo. A nação, a pátria são revestidas de um caráter sagrado. É a porta aberta a todas as teorias totalitárias.
Depois de Marx e Nietzsche, nova etapa teve início na história da humanidade. A etapa do grande desafio. O homem acredita desde então que não pode existir senão na medida em que se opõe a Deus. Claro o ateísmo não é uma invenção recente.  Um mundo sem Deus não é uma coisa nova. No Salmo 52 podemos ler: “O insensato diz em seu coração: Deus não existe”. Mas o Salmo se referia, precisamente, ao “insensato”. Seu ateísmo dava-se a medida de sua loucura. Isso foi verdade até o século passado. Desde então as coisas mudaram.
...É uma indagação permanente proposta a todos os homens de todos os tempos, que hoje porém se tornou mais premente para todo o mundo. Que cada um se interrogue sobre o que pensa de Deus. (Paulo VI).

Nossa resposta. Fazer Deus presente como um fato.


Terrível ausência de Deus em nosso mundo hoje... Em face  desta ausência, qual deve ser nossa atitude? Que resposta podemos dar? Que presença nos é reclamada? Em primeiro lugar precisamos ter fé. A falta de fé vai além de tudo o que podemos imaginar. Mas a própria fé nos dá, ao mesmo tempo a certeza de que Deus opera em nossas almas proporcionalmente a esse imenso e árido vazio: O braço de Deus não se encolheu como diz o profeta. Entretanto, sabemos também pelo Evangelho que o trabalho de Deus nas almas é, de  certo modo, condicionado pela fé ou pela incredulidade que ele encontra: “Jesus não fez milagres naquele lugar por causa de sua incredulidade”(Mt 13, 58). Na medida em que o “sal da terra “( os homens  de fé) vier a perder seu sabor, a ação de Deus irá, se assim podemos dizer, paralisando. Como outrora fez Jesus na sua terra. Enfim a Escritura nos afirma: “Quem é o vencedor do mundo? Aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus. Esta é a vitória que venceu o mundo: Nossa fé”(I Jo.5,4-5). Esta atitude de fé que nos é pedida implica uma atitude de inteligência. Precisamos reconhecer o que  nos é essencial  e saber firmar-nos nessa posição contra ventos e tempestades. Desde suas distantes origens, o homem é reconhecido por duas características indissociáveis; o utensílio (a técnica) e o culto (adoração). Seixos apenas desbastados ou sílices finamente polidos, túmulos humanos, sinais  de um além do homem. A adoração é uma marca do homem ao mesmo tempo e na mesma medida que a técnica. O mundo de hoje, no entanto, pretende dissociar aquilo que sempre esteve unido. O trabalho perseverante de nossa inteligência consiste, desde agora, em refazer a unidade: A colocar “e” onde os homens colocaram “ou”. Isto é: Não dizer “o utensílio ou a adoração”, mas sim “o utensílio e a adoração, a ciência e a fé, a mentalidade técnica e a intuição”.
Numa palavra o mundo de hoje requer homens de Deus. O que devemos opor, antes de tudo, a negação de Deus não é uma teoria, mas a Vida. Temos que ser homens e mulheres para quem Deus não é uma idéia, mas uma realidade. Além disso, neste mundo socializado, é necessário que se apresente uma  realidade social .Devemos então ser homens e mulheres  reunidos por Deus,acima de suas diversidades ou divergências.

Camus, escreve.
Deus é infinitamente simples. De uma simplicidade que não é mediocridade, mas ao contrário, é a plenitude absoluta na qual tudo é revertido  à unidade. É Ele que nos dará um coração simples. Então a vida fraterna  será possível, bela e suave.“Cada vez que me pareceu perceber o sentido  profundo do mundo, foi sua simplicidade que sempre me comoveu”.
(Camus)

Reflexões.

2 comentários:

orvalho do ceu disse...

Olá, querida
Que Deus se faça presente em seu coração mais do que nunca!!!
Bjs festivos e de paz

Nilce disse...

Oi querida
Que a paz, o amor, realizações e muitas bênçãos estejam sempre presentes em sua vida neste novo ano.

Feliz 2011!

Bjs no coração!

Nilce

Voltar ao topo