domingo, 12 de setembro de 2010

Um olhar sobre o mundo.



 Existem duas leituras cotidianas obrigatória para o cristão: A Bíblia e o jornal. 
A Bíblia nos diz o que é o mundo, e o jornal, como este mundo vive. (Karl Barth) 
A Bíblia no primeiro capítulo do Gênesis nos revela o designo de Deus para o 
mundo, a criação, marcado pelo refrão: "E Deus viu que tudo isso era bom." 
O jornal nos apresenta a inesgotável ladainha das feridas do homem hoje. E o 
cristão, confrontando a Palavra Divina e o jornal, descobre outra ferida silenciosa 
e mortal; a ausência de Deus e interroga por quê? Devemos aprender a lançar 
sobre as coisas um olhar primordial, como tem que ser o olhar do cristão, de acordo 
com os ensinamentos da Bíblia: No começo, Deus criou o céu e a terra... e Deus viu 
que tudo isso era bom. (Gn 1) Os cosmonautas e os cientistas inventaram um termo
para dizer até que ponto podem "se fiar", "confiar" em seus foguetes. É a palavra "fiabilidade". O primeiro capitulo do Gênesis quer comunicar- nos a" fiabilidade"
de um mundo saído de um ato de amor de Deus. A originalidade da narrativa
bíblica da criação em relação a todas as outras cosmogonias consiste em apresentar-
nos este mundo como um mundo de ordem. Deus não é um herói que se esforça e luta
para organizar o mundo em oposição a um princípio mau ou a uma desordem inicial.
É um Deus único, anterior a tudo. Cria sem esforço, sem assistência. Ele fala e ... tudo 
existe, ordena e... tudo nasce! E Ele mesmo dá a garantia de que tudo isso é bom,
muito bom! 
Romano Guardini escreve o começo de todas as coisas:

No começo não há nada de mau no mundo.Tudo o que Deus criou é organizado e bom. Foi o homem que trouxe o mal à terra, não por exigência das necessidades míticas, mas porque assim o quis. O mal não é um princípio deste mundo. Não é necessário para que haja tensão e vida, para que a história se faça. Estas ideias são o mau poema que o homem compôs para si, sobre seu próprio ato e suas consequencias... É necessário que o homem considere isso seriamente. A existência é boa. Todas as concepções do mundo, trágicas ou estéticas, que pretendem que o mal seja inerente ao mundo, que costitui a amargura que gera a grandeza da existência, que é o pólo oposto do bem, graças ao qual se produz a tensão espiritual que impulsiona a história e quaiquer que seja as diferentes formas de gnose antiga ou moderna não passam de teorias imaginadas pelo homem para justificar a infelicidade por ele causada. Quanto à origem, a existência é boa. O mal que a perturba agora não foi introduzido senão mais tarde... 


Quaisquer que sejam as trevas, o espinho do mal em nossas vidas, nossa incapacidade de compreender como um Deus bom "pode permitir isso", nosso reflexo é de estarmos certos de que Deus é "inocente" do mal. Mais uma vez não há mal inicial na natureza: Deus deu a cada ser aquilo de que necessita a fim de realizar seu destino. A dignidade do homem consiste em restaurar a imagem de Deus, " o ícone divino". A criação só pode ser boa. A verdadeira sabedoria consiste em nunca esquecer isto, quaisquer que sejam as contradições em que possamos estar envolvidos. Existe uma maneira de olhar o mundo e os seres que nos cercam, não é a do cientista nem a do político, talvez seja a do poeta. Em qualquer caso é a maneira do cristão. Que tenhamos a prudência de jamais abordar os domínios angustiantes e dolorosos do mal no mundo sem que antes tenhamos verificado, como todo bom alpinista,  
nosso apoio sobre o bem.

Reflexões.

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