quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A árvore da fé


A floresta viva. (Final)

Nossa fé é mais do que uma árvore, é uma floresta viva.
Precisamos estar seguros desta verdade, diante de tanta
incerteza por toda a parte. Homens e mulheres firmes até
agora de repente caem? As congregações estão envelhecendo.
Nenhuma vocação nova se apresenta? As instituições, como 
as civilizações são mortais? Irão, realmente, morrer? E a igreja?
São algumas das perguntas que nos fazem. é verdade que 
as mais belas árvores envelhecem e morrem. Os cedros do Líbano,
onde estão eles? E a árvore de Ezequiel? Nada, entretanto, está 
perdido, porque se a árvore morre em em seus ramos, tronco e 
raízes, continua imortal em suas sementes. Por causa delas a 
floresta não ruiu por terra, ela avança, caminha pouco a pouco, 
não morre. Disseminadas pelo vento, levadas a grandes distância 
pelos riachos e rios, transportadas pelas aves ou agarradas aos 
pêlos dos animais, as sementes da floresta germinam nos quatros 
cantos da terra. "A árvore se julga imóvel, mas caminha de 
geração em geração", escrevia também Saint-Exúpery. Não 
nos lamuriemos diante de instituições ameaçadas ou de casas 
rachadas. Quem sabe já tiveram seu tempo... Que importa! 
O importante é disseminar os grãos bem longe. Em linguagem 
evangélica, as sementes são as pessoas atentas à Palavra de Deus, 
aqueles corações de terra boa, que dão frutos pela sua constância. 
A instituição pode acabar, a perseguição pode destruí-lá, mas as 
pessoas que encontram o Cristo são um germe imortal: "Não tinham 
medo daqueles que podem matar o corpo - tudo que é visível,estrutural, 
material-, pois não podem atingir a alma". Toda vez que uma pessoa 
humana encontra o Deus vivo em Jesus Cristo, uma luz se acende e 
brilhará por toda a eternidade.


Vejam Slozenitsin e Svetlana Alleuva, filha de Stálin. Educada no
coração do Kremlin, centro d ateísmo e de suas blindagens de aço
e concreto mais impenetráveis: próxima ao suícidio, Svetlana 
encontra um amigo, André Siniavsky, que lhe fala dos salmos. 
Apanha-os para ler: "Eu procurava palavras que me fizessem 
compreender melhor o que se passava comigo. Encontrei-as, 
em fim, nos Salmos de Davi. Davi canta de coração aberto.
Está atordoado com vida e, na vida, ele vê Deus. Pede a Deus 
que lhe venha em seu auxílio quando, por vezes, se sente fraquejar. 
Canta então sua fraqueza, procura a causa de seu erro e recrimina 
suas faltas. Depois diz que não vale muita coisa, que é apenas 
um átomo no universo, mas justamente, mesmo, assim, um átomo, 
e por isso agradece a Deus por todo aquele mundo em torno dele, 
e por aquela luz em sua alma. Sua poesia quente purifica, restitui
coragem, permite ver claro dentro de si, ver em que está enganado, e faz 
recomeçar. Os Salmos são uma grande chama de amor e de verdade".

E Sianiavsky, também nele a fé em Cristo germinou, vinda de muito longe.
Jovem e ardente komsomol (organização juvenil, do partido comunista 
da União Soviética). Uma única pedrinha na doutrina do partido: " o fim 
justifica os meios". Seu ateísmo é certo, mas existe nele esta contradição. 
Sua jovem esposa é restauradora de ícones, técnica como outra qualquer, 
que não implica fé. Um dia, André Siniavsky encontra os "Pensamentos" 
de Pascal... Pascal abre a inteligência daquele rapaz à fé. Os ícones certamente 
tinha preparado o terreno. Como não acreditar nas sementes imortais: 
Sementes que nem os muros de Berlim nem os do Kremlin conseguiram deter.

A árvore da fé (parte I, II, III,IV E V)


Reflexões do Pe. Jacques Loew, do livro vocês serão meus discípulos.





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