sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A árvore da fé. (ParteIII)


Solidão e comunhão.

"Se a raiz é santa, os ramos também o serão."Depois de olharmos as raízes da árvore e a fonte viva da Palavra, olhemos as folhas que somos nós. Cada folha de árvore,
seja qual for a espécie, é um milagre prodigioso; é a fonte da vida. Com a seiva vinda das raízes, pelo sol que inunda
a folha, pela assimilação da clorofila ela transforma em vida a matéria inorgânica, os sais minerais, a água, a luz. Os mais elevados pensamentos, a mais sublime Santidade dependem do milagre do vegetal, da folha verde e da fotossíntese.
E cada árvore, do carvalho ao pinheiro ou à palmeira, é
constituída de de tal maneira que cada uma de suas folhas
ou palmas recebe o máximo de luz possível. Imaginem uma
folha que dissesse: Não preciso da luz do sol; para mim,
Basta ficar em comunicação com a árvore. Que lhe sucederia?
Ficaria logo flácida, amarela, sem viço e sem beleza. Sua vida iria se esvaindo pouco a pouco. Cada um de nós é essa folha da grande árvore do Reino de Deus, e o sol que nos ilumina é o sol da Justiça, o Cristo. 
É necessário que cada um se deixe vivificar por Ele, num encontro solitário, no qual quatro palavras são suficiente:
"Meu Senhor e Meu Deus". E é assim que Jesus ordena : "Entre em seu quarto e feche a porta"(hoje Jesus diria desligue o telefone) e aí ocultamente, ore ao Pai que está presente. Se porém, como a folha, dispensarmos essa luz, muito cedo estaremos desanimados, anêmicos, sem coragem de viver e agir; não haverá a fotossíntese da graça. Entretanto, se uma folha dissesse: Quero o sol só para mim, e se , destacando-se da árvore se expusesse em plena praça, no fim de algumas horas seria uma folha seca e morta. O mesmo acontece conosco, quando nos separamos da graça. A graça é feita de uma misteriosa alquimia de solidão e comunhão. E ainda, se um galho inteiro se esconder do sol ou se quebrar, a morte de suas folhas, pelo fato de ser menos imediata, não deixará de ser inelutável. 
Saint-Exupéry compreendeu profundamente - independente da fé cristã, esta importancia da árvore, elo entre a terra e o céu: Por suas raízes, plantadas na terra, por seus ramos, plantada nos astros, ela é o caminho de comunicação entre as estrelas e nós. 
Dessa forma, orar é, ao mesmo tempo, ir humildemente ao encontro da fonte da Palavra e deixar-se iluminar e transformar se pela Luz do Cristo. 
O Verbo, verdadeira luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo.Esta oração ressoa sobre o mundo. 
Assim como as árvores detêm a terra e preservam-na da erosão, também os homens de oração cuidam da terra dos homens, unem seus torrões espalhados e, sobretudo, tornam o ar respirável. É um obscuro e real trabalho
de coesão, união, oxigenação que a oração realiza, essa congregação na unidade de todos os filhos de Deus dispersos, pela qual Jesus morreu, nos diz São João. (11,52) E a ousada comparação de Saint-Exupéry vai mais longe: "Transformar as ervas que se entredevoram em uma árvore
onde cada galho se desenvolva pala prósperidade de todos.
 
Para meditar.




























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